segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Atitudes

A Matilde Ribeiro

“... mas a fome”.
será o menino
correndo roto
no alcatrão
dando vida
ao aro do barril...”
Helder Proença


Ouvi o Hugo Ferreira
sobre a fome no Brasil
e no mundo
na década de setenta.
Há democracia
faces negras nas estruturas.
Hoje estamos
no andar intermediário
buscando o superior.
Lá nos lixões
o povo negro
como Carolina e eu
buscam o alimento
da vida.
Os fedelhos negros
sobem nos monturos
e mesmo neste cimo
não alcançam a escola.
Estamos na megalópole
tudo é paz
no sul maravilha.
Em terras potiguares
apesar das mangas e cajus
ou no Piauí
apesar das uvas
existe a fome.
Rostos cinzas
dos pimpolhos
com sujeira nos pixains
mesmo sem saber
enquanto fogem das escolas
em busca da vida
rolando pneus
esperam de nós
atitudes.

Geraldo Potiguar do Nascimento
São Paulo, 08.05.08.

Ciência, Revolução e Arte

Aos membros do Movimento Negro de Arte e a todos os artistas reconhecidos ou não.


“A felicidade do negro é uma felicidade guerreira...”
Gilberto Gil.


Toco berimbau
instrumento de uma corda só
cavaquinho
cítara
violão
viola
guitarra
harpa
são meus dons.
Crio loas
jogo capoeira
no piano sou o bom
unindo a voz e a sonoridade
canto samba
jongo
calango
óperas
sou também do improviso
estilo livre
sou rei do rock
reggae
do rytim and blues
do forró
do funk
do rap
do futebol
................
Em terras brasileiras
dei conta de amos
e capitães do mato
fui Palmares
Jabaquara
e muito mais
Com farroupilhas
lanceiros negros
como prêmio
assassinato coletivo
aves
campos
florestas
testemunhas vivas
do Massacre dos Porongos.
Estou na olimpíada
da matemática
orgânico sem deixar
de ser racional.
Em Angola
Moçambique
São Tomé e Príncipe
Cabo Verde
fui guerreiro
Liberdade !!!
Hoje na reconstrução.
Canto e danço e vadio
Com classe.
Na luta
a dança, o canto, a vadiação
são atos de amor.

Geraldo Potiguar do Nascimento
São Paulo, 05.05.08.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mãe África

“... as nossas raízes nasceram longe/
muito longe/
antes da primeira caravela ...”
Albino Magaia

Abra o mapa
Veja a África
é daí que venho
foi daí que veio
o sangue que corre
em minhas veias.
Olhe o mapa
atentamente
foi aqui
bem aqui
que surgiu
o primeiro ser humano.
Reproduzimos
povoamos o mundo
alcançamos todos os continentes
ocupamos os espaços
que após eras
foram assaltados
pelos invasores.
Veja o mapa
veja a África
ela é mãe
minha mãe
sua mãe
nossa mãe.

Geraldo Potiguar do Nascimento
São Paulo, 01.05.08.

Agô

Ao Pai Lilico da Osun

“folga negro
branco não vem cá
se vier
pau há de levar
folga negro
branco não vem cá
se vier
negro há de matar”
(Canto entoado no fuzuê das senzalas após o dia de trabalho).



Batam palmas
essa é a nossa festa
a porta perdeu a tramela
a épula está posta
a calma reina
eu permito.
O olho caminha pelos espaços
o suor me toma a testa
o brilho me encanta
suo entre os pixains.
Os beiços demonstram a sensualidade
milho
Amendoim
feijão
bife
pimenta
esse é o meu banquete.
Que venham as quilombelas
e os quilombolas
quero a luz dos candeeiros.
Quero chamego
larguei lança e rebenque
atrás da porta.
Eh mulher negra
deusa de ébano
companheira de lutas
alcovas e jardins
na grandeza do aiyê.
Vem, me dá um cheiro no cangote
vamos medir nossos beiços
amemos sem limite
a posteridade espera nossa atitude.
A luta é negra
o ogó é o caminho
essa canha aumenta o meu prazer
deixa meu olho esperto
pelos espaços.
Essa pau-a-pique
é pouco para nós
nada nos prende
o aiyê é nosso
somos o aiyê
lalupô.

Geraldo Potiguar do Nascimento
São Paulo, 22.03.08.

Sou o Amor

Que eu seja o amor
Que sana suas angústias
Que eu seja o amor
Que lhe trás a paz
Que eu seja o amor
Que interfere na sua felicidade
Que eu seja o amor
Com o qual tem sonhado
Que esse amor seja imenso
Que ocupe o seu universo
Que aquilo que tanto procuras
Seja eu
Esse amor.

Geraldo Potiguar do Nascimento
São Paulo, 02.04.08.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

De Braços Abertos

Doar é bom
Com alegria é contagiante
Ser bardo é algo que engrandece
Uma verdade
Substitui a outra
Enquanto o gesto
O carinho
O apego
Ajudam a dizer te amo.
Que lindos olhos
Acompanham minhas desculpas
O amor nasce
Ou até
A primeira teclada
A virtualidade vai ao coração.
Abre-o para receber
Até mesmo as armas
Os atos
As palavras
Que ferem.
O pensamento voa
E a fala é pausada
Para a compreensão.
Ah, a compreensão é mãe
De todos.
Imagens
Lindas imagens
Deixam nosso coração tranqüilo
Incentiva os sonhos
De olhos
E braços
Abertos.


Geraldo Potiguar do Nascimento
São Paulo, 10.03.2008.

Deusa de Além Mar

A quantas ondas eu vou
Nesse mar revolto
Louvar minha deusa
De além mar


Que o bandolim não desafine
Que a voz não me falte
Pra cantar minha deusa
De além mar


Que o corpo esteja quente
Que os braços sejam longos
Para aconchegar minha deusa
De além mar.


Que os desejos sejam firmes
Que a boca esteja ávida
Para oscular minha deusa
De além mar.


Que a vida seja longa
Que o amor seja eterno
Pra ser feliz com minha deusa
De além amar.


Geraldo Potiguar do Nascimento
Porto Alegre, 01.06.2007.