segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A História Preconceituosa da Àfrica


Crítica ao livro:
"A África Está em Nós"
História e Cultura Afro-Brasileira
Primeiro Volume
Autor: Roberto Benjamim
(Roberto Emerson Câmara Benjamim)
Editora Grafset Ltda.

Infelizmente acabei de ler agora no mês de agosto/2006 o livro "A África Está em Nós" de Roberto Benjamim, publicado pela editora Grafset em 2004. Digo infelizmente porque gostaria de ter lido muito antes e é uma pena que somente agora chegou as minhas mãos. Esse livro até onde tenho conhecimento, por falta de outro, e não sei se o Ministério da Educação através de seus departamentos já adotou algum livro didático que sirva de baliza para execução na prática as determinações da Lei Federal, está sendo "adotado" por alguns professores, principalmente de História, cheios de boas intenções, para "orientar" os seus alunos com relação a História da África.

Achei oportuno o lançamento do livro. Acredito ter sido um dos primeiros livros, se não o primeiro de que tomo conhecimento de abordar o assunto com essa diversidade, logo após a publicação da Lei Federal 10.639/03. Fico surpreso com a bibliografia utilizada mas desagrada-me o resultado. Observo que a linguagem do professor Benjamim é eivada de preconceitos. Como militante do Movimento Negro e dos Direitos Humanos estamos acostumados; não estou querendo justificar que é algo bom e que tranqüilamente faz parte do nosso dia-à-dia já que com certeza também nos acostumamos a nos reservarmos e preservarmos dos acontecimentos que têm o intuito de nos maltratar. Isso que escrevo como costume poderia ser colocado como uma espécie de exército de reserva a semelhança de nossa defesa interna através dos anticorpos ou/e até a nossa defesa externa dos animais peçonhentos.

Já na página 20 do referido livro o autor, no "ponto 1.3 - Denominações afro-brasileiras", no item quarto, pela ordem, denominado EWE, decorre o texto escrevendo: EWE - 1. Povo da África Ocidental (que hoje habita o Benin, o Togo e Gana), de onde procederam escravos para o Brasil...". Parece-me que o autor, que também é advogado, com a sua linguagem "coloquial" de escritor, branco, conservador, racista e sem nenhum compromisso com a mudança; indigno de ser considerado parceiro já que temos inúmeros intelectuais brancos e de outras etnias que são verdadeiramente parceiros, não busca novos horizontes no universo da educação brasileira pregado pela "regulamentação da Lei Federal 10.639 de 09 de janeiro de 2003", através das "Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana" aprovado pelo Conselho Nacional de Educação em 10 de Março de 2004.

Na sua linguagem racista, preconceituosa e discriminatória, o autor usa a palavra escravo como adjetivo pátrio fazendo-se presumir que exista um país denominado "escravolândia" ou algo parecido. Benjamim segue a linguagem da maioria da imprensa e/ou de educadores diretos e indiretos liderada pelo Sistema Globo de Comunicação (vide discussão em torno de outro livro, o Não Somos Racistas de Ali Kamel, diretor executivo da Rede Globo), que planeja e põe no ar no seu jornal de maior audiência manchete como a que ouvimos a poucos dias passados: "Dia de festa para descendentes de escravos".

No livro inteiro o Senhor Benjamim nada faz para mudar essa linguagem racista, discriminatória e preconceituosa criada, difundida e conservada pelos seus antepassados, citando várias vezes que determinados países ou regiões da África era de onde vinham os "escravos". Linguagem essa que cada vez mais ajudam a perpetuar a imagem do negro subserviente e fraco e que pelo seu passado de descendente de "escravos" obviamente jamais poderá galgar altos postos neste país.

É necessário deixar nítido para o Sr. Benjamim e outros racistas de plantão que, se existe um povo descendente de "escravos!" existe também um povo descendente de escravisadores. Um povo que tratava outro povo como coisa, animal; que assassinava ao "bel prazer" aqueles seres que não correspondiam as suas (deles) expectativas; que estupravam as negras para encobrir fracassos sexuais de seus casamentos forjados assim como as doenças e/ou a frigidez de suas esposas. Este senhor acha que é isso que a escola brasileira deve continuar ensinando? É com base nessa educação, eurocêntrica, discriminatória, preconceituosa e racista que devemos abordar a história de nossos antepassados? Senhor Benjamim e demais seguidores, nós negros e negras não somos descendentes de escravos! Somos descendentes de africanos que por um determinado período fomos escravizados. A escravidão não nasceu com os negros e negras africanos (as) como o senhor com certeza é sabedor já que tem muito mais informações do que eu. Uma pessoa do quilate desse senhor quando intencionalmente escreve desta forma em um livro que se pretendia didático tem o objetivo claro (como os senhores adoram falar), de manter cada vez mais os negros e negras distantes de uma auto estima impedindo-os de uma libertação da consciência desse povo.

Nesse livro, ainda com relação a religiosidade do povo afro-brasileiro o autor não age como um cientista mas sim como uma pessoa mais uma vez preconceituosa e a serviço da igreja católica, como nos tempos da inquisição maldita. Distorce informações sobre as religiões de matriz africana, desinforma e colabora com o atraso para que os dados verídicos sobre as religiões trazidas de além mar não sejam difundidos de uma forma mais ampla.Na abordagem internacional o autor perdeu a oportunidade de informar aos leitores/alunos do seu livro como se deu a divisão do continente africano. Há na página 91 do supra citado um pequeno gráfico que "orienta" aos alunos/leitores e como bom descendente de colonizadores o autor foge dos fatos sem deixar nítidas as condições políticas e históricas em que e como que aconteceu a invasão do "continente negro".

Não é por falta de informações pois na relação bibliográfica colocada no final do livro, que presumo que o autor tenha lido, há inúmeros livros verdadeiramente documentais que colaboram para que se tenha uma gama de informações capazes de reforçar um relato científico de como aconteceu. Na abordagem nacional há desprezo da parte do autor por todas as batalhas de transformações e mudanças neste país onde negros e negras estiveram presentes junto com todas as etnias e em grande quantidade. Só para ilustrar esta afirmativa, neste livro não há nenhuma informação a respeito da participação nas luta do povo negro do sul do país nas revoluções e guerras acontecidas principalmente nos pampas gaúchos, a partir do Rio Grande do Sul, estados e países vizinhos com vastos relatos em livros e documentos publicados/divulgados no Brasil e fora dele.

O autor, Roberto Emerson Câmara Benjamim apesar de ter perdido a grande oportunidade de se passar como um parceiros nas lutas pela emancipação (de fato) do povo negro e seus descendentes, age como proxeneta da cultura negra por alguns caraminguás pois tenta a todo custo preservar as "conquistas" de seu povo que este sim, levam e levarão sempre a pecha de terem escravizado um povo que como está escrito também em seu livro (não foi possível nesse ponto mascarar a verdade), muitos deles, reis e rainhas; príncipes e princesas. Se nós somos descendentes de "escravos" como afirmam este senhor e os meios de comunicação do nosso país, os senhores são descendentes dos escravisadores, estupradores de negros e negras oriundas da África. Exterminadores de um povo. Provocadores do genocídio do povo negro.

Os negros e negras nunca concordaram com a sua condição de escravos e hoje nós os afro-brasileiros não concordamos de maneira nenhuma com a escravização de consciências impostas por pessoas que, paradas no tempo, acreditam ainda serem os nossos tutores dominando a mídia e os organismos de educação formal e/ou informal impondo seus ditames de forma "moderna" e oportunista através do compadrio, contubérnio, insensamento daqueles que ocupam o poder. Estamos e vamos continuar atentos.

GERALDO POTIGUAR DO NASCIMENTO é militante do movimento há mais de 30 anos. Em 1978 junto com outros militantes, organizou a partir de São Paulo o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial – o MNU; em 1991 ajudou a fundar "oficialmente" a União de Negros pela Liberdade – UNEGRO; em 1992 organizou a “posse” de “hip hop” Identidade Negra na região da Vila Nova Cachoeirinha – Zona Norte de São Paulo. Há 5 anos Potiguar viaja por várias cidades do nosso país com a palestra/debate: “A Participação do Povo Negro na História do Brasil” e elabora o livro: “Tudo que Você gostaria de Perguntar sobre a Raça Negra e não tinha tido oportunidade”. Atua atualmente no AFRHUM - Instituto Pedagógico para o Crescimento, Fortalecimento e Valorização da Cultura, do Viver Afro-Brasileiro e os Direitos Humanos
Contatos: E mail's: geponas@gmail.com
kimbira@yahoo.com.br
AFRHUM - afrhum@gmail.com

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Corredor do Amor


Já ouvi falar de vários lugares onde se proclamam a terra do amor. Dizem que Paris é uma cidade que favorece este acontecimento. A torre Eiffel. A avenida Camps Eliseé. A avenida St Germain onde era possível encontrar Jean-Paul Sartre trocando carinhos apaixonados com a "sua" Simone de Beauvois dão o clima. Outros lembram do Rio de Janeiro com suas praias e ruas celebrizadas pelas estórias de amor das novelas.

As praias ou as cidades praianas no sul de Santa Catarina, principalmente no verão, se é que no verão dá pra se dar ênfase ao amor. Para os bons apreciadores dos romances amorosos o melhor momento para o amor é o inverno com chuvas. O tempo nublado e a névoa fazendo parte do cenário. Como dizia, as praias do sul catarinense ou as do nordeste do país são super cogitadas para uma estadia pelos casais apaixonados.

Há anos passados o bloco Olodum da Bahia depositou todas as honras a ilha de Madagascar, dando vivas a afrodisíaca ilha do amor. Isso pra quem pode. Virando os olhos para a África, lembro-me do Fernando I, "o rei destronado do Brasil" e agora colocado de volta no Congresso Nacional, que se aconchegou com a sua cara-metade de plantão, a Rosane, assim que foi eleito, nas ilhas Seicheles, um verdadeiro paraíso para o amor.

Tudo isso são viagens. Como observador dos costumes e da tradição do povo gaúcho, fico aqui em Porto Alegre. Fico mais precisamente na Rua da Praia. Essa rua é o grande guarda-chuva ou guarda-sombra para os dias de verão intenso. Considero a rua mais querida ou mais lembrada dos porto alegrenses. É o corredor do amor. Amor para todos os tipos. Todas as necessidades. Todos os gostos. Amor para chamego. Amor para as ninfetas. Amor para as mariposas dos dias e das noites. Amor à moda antiga. E por aí vai. É muito comum ver casais de namorados caminhando por essa via. As vezes saboreando um churrasquinho daqueles assados ali no carrinho da esquina. Degustando um churro, não sei porquê um hábito quase que unicamente feminino. Tomando um sorvete ou sentados às mesas que se proliferam a partir da praça da Alfândega em direção a prainha do Gasômetro.

As salas de cinema e/ou de teatro da Casa de Cultura Mário Quintana por sua seleção primorosa e diferenciada de filmes e peças atraem os jovens enamorados e muitos daqueles que fazem profissão de fé que o amor não tem idade. Um dia desses fui lá numa dessas salas assistir um dos filmes mais recentes do diretor italiano Bernardo Bertolucci: "Os Sonhadores" e... por um motivo qualquer, acenderam as luzes. Percebi que era o único solitário naquele recinto. Não me incomodei com tal situação: fui lá para conhecer um dos mais recentes trabalhos do mestre e apenas observei o detalhe.

O filme mostra o amor entre dois rapazes e uma garota. O cantado e decantado triângulo amoroso. Achei-o bom. Na saída dos casais, e como nós que escrevemos somos extremos observadores, parei os olhos na capa de um livro que uma das moças, que também estava acompanhada, transportava sob o braço. O título é: "Amestrando Orgasmos". Confesso que não li o tal escrito do jornalista Rui Castro. O transporte do mesmo ali na porta me confirma o título dessa crônica. Algo assim que poderia ser substituído por: "manual prático do amor". Espero que o tal livro tenha algo importante para ensinar e que o casal realmente aprenda.

No dia dos namorados agora passado as salas de cinemas programaram, dentre outros, dois filmes, um italiano e outro chinês. Ambos tinham amor no título e conseqüentemente no enredo. Da Itália veio: "Manual do Amor" e da China: "2046, Os Segredos do Amor. A "escalação" desses filmes são semelhantes a complementos alimentares. O objetivo é reforçar o amor. Ultimamente está programado para breve, um filme romântico: "A Casa do Lago". Este filme é americano com os atores Keanu Reeves e Sandra Bullock nos principais papéis. Como carro chefe da divulgação e marketing eles escolheram a frase: "É possível amar alguém que você nunca viu?". Acredito que muitos transeuntes dessa linda rua tem uma resposta afirmativa.

Tive meus dias de glória ou de sorte quando a Leo atravessou o país para vir me ver. A jovem quadragenária e eu passeamos muito, como não poderia deixar de ser, ali pela Rua da Praia. Era a nossa via principal que adorava. Por opção de nossa moradia provisória e a orla do Guaíba passávamos sempre por ali. De vez em quando entrávamos no centro de compras. Vez por outra parávamos num daqueles restaurantes para o nosso bom carreteiro de charque regado a um vinho serrano, e a vida caminhava.

Foi numa das salas de cinema da Mário Quintana que assistimos: "As Garotas do Calendário" filme esse que inspirou as gaúchas qüinquagénárias a participarem da folhinha tupiniquim: "Gurias do Calendário" em dezembro de 2005. Com meus olhos de observador tenho constatado muitos casais que já passaram dos sessenta trocando carinhos ali naquela via. Há sim um incentivo ao desejo, a troca de afeto. O caminhar indolente dos fins de semana nas calçadas desobstruídas. A velocidade calma dos automóveis que circulam faz com que o carinho renasça no coração dos transeuntes. Há uma gama enorme de seres felizes na Rua da Praia. Está estampada no rosto as horas de alegria pelas quais passaram ou estão passando.

Mesmo para os solitários, há as lojinhas com computadores para contato direto nos sítios de relacionamento quando conseguem escapar das seguidoras da deusa afrodite da praça da Alfândega. Lá na saída para a avenida Independência há sobrados com fotos coloridas nas escadas, como se fossem gravuras de atrizes de cinema. Lá as moçoilas reforçam o título de corredor do amor da rua mais famosa dos porto alegrenses. Quem for lá juízo para não tecer esse comentário porque a taxa periga subir.

Foi nessa rua que Luciano que veio lá de São Francisco de Borja conheceu Ana Rita que havia chegado a poucos de Vacaria. O casal se conheceu, namorou, noivou, passeando ali no corredor do amor. Se casaram e foram morar em Canoas. Um dia, depois de anos juntos voltaram a rua e na fila do cinema: Ana neste dia encontrou Carlos, o jovem a quem havia prometido amor eterno quando morava no sítio na serra. Junto com ele, por coincidência, estava Luana, jovem essa que havia sido a paixão da infância de Luciano lá na região das missões.

Os casais no dia, ou na noite, trocaram o cinema por um bom papo a quatro cabeças. Havia muito o que conversar. E como havia. O cenário foi uma lancheria ali pertinho. O lanches no prato esfriando, o refrigerante esquentando e a conversa era o principal ítem do cardápio dos quatro. Hoje os quatro são vizinhos em Canoas. São testemunhas um do outro nos registros civis dos filhos que crescem juntos e estudam na mesma escola. De vez em quando vêm a Rua da Praia, matar as saudades do dia do reencontro e celebrar a vida que hoje levam. Pelo que se percebe, ninguém consegue passar imune pela Rua da Praia. Ninguém escapa dos fascinantes encantos de Afrodite e/ou Vênus. Que Oxum, Dandalunda proteja os amantes. Viva o amor.

GERALDO POTIGUAR DO NASCIMENTO/2006

O Caroço de Butiá

Meu nome é Cirila. Sei que é um nome diferente dos nomes de hoje. Coisas da minha avó. Minha avó é muito católica. Pelo menos ela diz. Acredito que era um pouco mais quando estava na barriga da minha mãe. Faz muito tempo que eu nã o vejo ela ir a igreja. Ela acompanha a religião pelo rádio e pela televisão. Diz que está muito velha pra ficar andando por aí.

Conta minha avó Madalena que quando ficou grávida de mim, minha mãe teve muitos problemas e ela, a minha avó, fez uma promessa: tudo deveria correr bem. Nascer com saúde, minha mãe ficar viva, ganharia o nome do santo do dia. Santo. Digo santo falando como os adultos falam. Santo no masculino. Santo, como se nã o houvesse santa.

Nasci no dia dezessete de março. Neste dia, diz minha avó que olhou num almanaque não existem mais e ela ainda guarda um até hoje num local que ela chama de "meu relicário", com as páginas amareladas e todo furadinho de traças. Olhou nesse livrinho/ revista, sei lá e descobriu que o santo do dia ou os santos do dia, eram três: Cristiano, Narciso e Cirilo de Jerusalém. Não me perguntem como foi a escolha, isso minha avó também não sabe explicar. Depois que ela me contou, fiquei imaginando que poderia ter o nome de Cristiana. Os amigos e amigas me chamariam de Cris, assim como chamam o Cristian Chavez, o carinha que mais gosto na novela Rebelde e na banda RDB. Deixa pra lá. Hoje já estou acostumada com esse nome e os meus e as minhas coleguinhas me chamam de Ci.

A minha professora de literatura falou que alguns índios acreditam numa deusa, bruxa, sei lá o que que eles chamam de "Ci" . Gosto disso. Tenho doze anos. Acho que sou uma criança normal. Apesar de meu lado bruxinha, sou normal. Falo muito em minha avó porque vivo a maior parte do tempo com ela. Meu pai e minha mãe trabalham fora. Meu pai é o Humberto. Chamo ele de Beto como a mãe chama. Beto é caminhoneiro. Desde pequenininha vejo ele muito pouco. Falo com ele quase sempre por telefone, por carta ou por emeil. É verdade. Meu pai é um homem moderno. Com mais de cinqüenta anos aprendeu a "mexer" em computador para conversar com a gente por emeil's. Vez por outra conversamos direto pelo computador. Acho muito legal. Ele é o meu principal amigo virtual, mesmo que ele não tenha tempo, todo dia eu deixo um recado pra ele.

Minha mãe é a Luciana. Todo mundo chama ela de Lu. Como disse, também trabalha fora. Sai muito cedo. Quando ainda estou dormindo. Volta cansada no final da tarde. Mesmo assim ainda arruma a casa, faz a janta, lava a roupa e "passa a lição" comigo. Essas coisinhas que dona de casa e mãe têm que fazer.

Sou inteligente. Acho que sou. Tenho boas notas na escola. Quando crescer, quero ser escritora. Gosto muito de ler e escrever. De vez em quando "lá na escola" a professora manda a gente ler em voz alta. Adoro. A maioria do pessoal da sala nã o gosta. Reclama. Adoro. Sou uma criança normal. Acho que sim. Ninguém nunca me disse o que é ser uma criança normal mas acho que sou. Minha avó; sempre ela, diz que dou muito trabalho. Vive gritando comigo. Não pode fazer isso; não pode fazer aquilo. Fala dos meus horários de ir pra escola e proíbe de ir na casa de minhas amigas. Não posso ver televisão ou de ficar no computador até tarde. Falam muito de direitos da criança. Será que a criança nã o tem o direito de faltar a aula pra ficar com os amigos e amigas ou ficar no computador até tarde?

Vó Madalena diz que ainda não posso ter amigos. Só amigas. Eu acho errado. Tenho alguns amigos sim. Gosto deles e não vejo nada errado nisso. Gosto de jogar bola com meus amigos e amigas. Outro dia por causa disso quase que me acontece uma tragédia. Tava jogando bola com meus amigos e amigas quando chegou meu tio Zé. O nome do meu tio é José Luiz mas a gente chama de "Tio Zé". Ele mora no sítio no interior. Sempre quando vem de lá ele trás frutas, legumes, verduras e cereais. Nesse dia ele trouxe um saco de butiá. Frutinhas madurinhas, docinhas, super gostosas.

Não que seja gulosa, coloquei umas três frutinhas na boca. Coloquei e voltei a jogar bola. De repente, recebo uma bolada na cabeça e zup, engulo o butiá com caroço com tudo. Foi horrível: o butiá ficou atravessado na minha garganta e fiquei sem poder falar. Me trouxeram para minha avó. Foi uma confusão daquelas lá em casa. A situação não mudava. Minha respiração falhando. Meus amigos e amigas acompanhando meu sofrimento. A porta cheia de gente. Minha avó super nervosa. Já havia decidido que daquela não escapava. Era o que de pior podia me acontecer: morrer tão jovem.

Depois da minha musa, a Britney Spears "ficar louca", cortar o cabelo careca e agredir um monte de jornalistas e fotógrafos; depois de ler nos jornais e revistas e ver na televisão que meu ídolo rebelde, o meu amadinho, o lindinho dos meus sonhos; o Cristian Chavez gosta de homem, era uma das piores situações que podia me acontecer. Morrer. Morrer tão nova. Me levaram pro postinho de saúde do bairro. Lá disseram que não podiam fazer nada. O aparelho de raio x não estava funcionando. Lá vou de ambulância pro hospital de pronto socorro. Odeio som de sirene de ambulância. Pior mesmo é estar dentro. Numa maca.

Me faltava o ar. Estava decidido: ia morrer. Minha avó nunca me disse como é morrer. Nunca tive tempo de pensar no assunto. Era a primeira vez que tinha um caroço de butiá atravessado na garganta. O barulho da sirene da ambulância, a agitação dos carros em volta, o céu passando apressado através dos vidros da janela do carro e, aproveitando, ia me despedindo de tudo que fazia parte de minha vida: a Mônica, o Cebolinha, o Cascão; o Tom e o Jerry; o Chaves, o Kiko, a dona Florinda; meus CDs e DVDs do RDB apesar do Cris; meus amigos e amigas do ORKUT; meus sonhos de ser escritora;.... tudo estava ali passando pela minha cabeça. A morte estava bem perto.

A ambulância atravessou o portão do hospital. Deu uma freada brusca. Senti que alguma coisa havia mudado. Parecia que a minha respiração tinha voltado ao normal. Queria falar mas tinha medo. E se a voz nã o saísse? E se já tivesse realmente morrido? O médico examinou minha garganta. Falou pro meu tio que estava tudo normal. Meu tio Zé perguntou se era grave. O médico com uma cara de ironia disse que era. Receitou um remédio. Meu tio não entendeu o recado do médico. Apressado, me fez tomar uma dose maior do que a receitada. Passei vergonha e deixei o taxista irritado por ter borrado o banco. Hoje eu não vou a aula porque tenho de ficar indo no banheiro toda hora. Eu adoro a vida.

Geraldo Potiguar do Nascimento

terça-feira, 23 de junho de 2009

Uma Ninfeta Gaúcha

Desde que comecei a escrever usando como objeto de minha inspiração a "rua da praia" que tenho desejo de falar de mulheres. Falar das mulheres nós ouvimos desde criança. Aliás, o assunto é até muito lúcido, embora Em alguns momentos, tenham lá suas complicações. Nascemos de uma mulher, acostumamos logo cedo a ouvir histórias ou estórias de mulheres por algum ou alguns de nossos entes queridos, normalmente alguém do sexo feminino. Há tantas pessoas pra nos contar as estórias. Normalmente há mulheres nesses relatos. Principalmente nesse tipo de narrativas: ninfetas. Quando criança, uma das primeiras histórias que me contaram, foi a da "branca de neve".

Não tenho dados estatísticos, mas parece que essa é a mais contada. Não gostei da história. Nem um pouco. Não consigo entender o porquê, mas dessa eu não gostei. Sei lá, nasci em Natal, "cidade do sol". Na ingenuidade do meu tempo de guri era complicado entender uma "branca" e ainda por cima, "de neve", algo difícil de entender por um guri nordestino. As "brancas" da capital potiguar são rosadas. Achava a personagem branca demais, a madrasta, má demais, e muito estranho o comportamento daqueles sete anõezinhos.

A tal da "bela que adormece" achei babaca demais: se machucar no fuso pra mim era dose cavalar para a portadora dos dois neurônios. Prostrar-se num leito e viver anos e anos a fio a espera do príncipe encantado sem aprender nada da vida é desinteligente. Algumas mulheres agora em nossos dias seguem o exemplo e se inebriam, adormecem, e só acordam quando precisam do exame de dna. As histórias têm finais felizes (quase sempre). Porque acabam no meio da festa. O "e viveram felizes para sempre" fica isento de testemunhas.

A primeira vez que me contaram, tive muita dó do lobo que teve um triste fim após usufruir tudo que a ninfeta e a vovozinha tinham de vermelho. O príncipe que virou sapo seria mais interessante como rã com pernas fritinhas, tostadas, com arroz à grega, um carbenet branco e uma boa companhia. À noite. Tudo à meia luz.

A moça do borralho me deu vontade de mandar todas as mulheres com seus instintos de inveja para o caldeirão da bruxa. Esta sim, feia e desengonçada com é retratada nos livros, que na sua maioria foram escritos por homens, porém inteligente. Com um pouquinho mais de experiência vim a imaginar que o gênio daquela mulherada não devia ser nada fácil.

Quer saber quem me despertou interesse? A tal da Alice. Esse nome foi dado a personagem pelo seu criador, o reverendo Charles. Charles Lutwidge Doudson era pastor evangélico e como escritor adotou o epíteto de Lewis Carrol. Podia ser Maria, que eu não iria me incomodar. Mas foi esse, deixa assim. Leram para mim e eu, segurei o livro e fiz dele o meu companheiro de travesseiro. Quis que a Alice me fizesse companhia desde cedo. Mais cedo ou mais tarde eu teria condições de ler sozinho e desvendar minha musa.

Alice me pareceu, após a centésima leitura, uma jovem sensata. Pelos idos dos meus catorze anos a personagem do reverendo passou a ser minha paixão platônica. Paixão mesmo. Paixão dessas de colocar no coração e armar todo o visual em volta para que o mundo saiba o quanto você é bobo. Um pouco depois a substituí por Romina. Romina Power. A conheci através de reportagens nas revistas quando começava a demonstrar o frescor de sua juventude nas telas do cinema nos filmes que vinham lá do estrangeiro. Menos mal. Essa apesar de tudo que se pudesse falar de mim era gente. Tinha vida.

Caminhando pela "rua da praia", na capital dos gaúchos, vivo a observar as ninfetas que transitam por ali. Vejo-as sozinhas. Acompanhadas de mães, pais, avós, com amigas, algumas vezes com namorados, paqueras ou quem quer que seja do sexo oposto e não muito raro com algumas do mesmo sexo. Gosto de admirar. Não "com a mesma mente" daqueles que navegam pelos sítios da internet e que usam a palavra como chamariz. Apenas com o intuito de admirar a bela escultura do corpo humano.

Conheci uma. Digo conheci porque tive a oportunidade de conversar. Admirei-a. Não como Balthus. O Balthasar Klossowiski de Rola, o pintor francês. O artista as desnudava nas telas. Considerava-as "muito mais anjos que demônios". No nosso terceiro milênio seria pedófilo. Minha admiração é uma viagem de poeta. Cronista. Aquela jovem me fazia lembrar das divindades mitológicas dos rios, principalmente na mistura das lendas e da transformação da mulher em peixe e vice-versa. Da virgem hamadríade com seu belo corpo de mulher e gazela que ilude caçadores enquanto se defende dos "seus" demônios.

Ela estava ali. Do meu lado. Rosto lindo, corpo escultural. Blusinha colada ao corpo, fechada com botões que pelo belo volume do busto e a jovialidade, marcavam a blusa e deixava à mostra a marca do sutiã. A saia era justa. Justíssima. A marca da calcinha, asa delta, fio dental ou tanga...me desculpem pois faço muita confusão com relação a essas peças de uso prioritário das ninfetas, estava lá para quem quisesse ver. Eu procurando ser sisudo tentava domar os olhos e os desejos. Admirava tudo a furtapasso.

Quinze anos é a idade da minha amiguinha. Lúcia. Lúcia é o seu nome. Caminhamos pela "rua da praia" e de repente paramos defronte uma daquelas lancherias de "pratos" rápidos que a juventude tanto gosta. Se é que podemos chamar aquilo de pratos. Um simples olhar que demonstrava desejos foi o suficiente. Lá estávamos nós a consumir aquela carne estranha e bebendo aquele líquido laboratorialmente inidentificável.

Outras ninfas ou ninfetas rondam por ali. Muitas apesar de terem completado a mesma idade não tem a força da minha amiga a compor a sua personalidade. Os revezes diários e noturnos assim como as intempéries do tempo e da vida as impede de cultivar um belo corpo e manter uma saúde semelhante a da Lúcia. Vitimadas pelo cerceamento da realização da maioria dos desejos, sufoca-os no bodum de tolueno. Olhos famintos, carentes de tudo. Nos admiravam. A vitrine era ampla e lá estávamos nós expostos aos sonhos dos sonhos.

Lúcia era minha musa. Naquele momento não sei se desejava ser pescador, caçador ou um outro sonhador qualquer. De repente, a "minha" ninfeta acena e por fora da vidraça está aquela senhora que foi embora levando o meu sonho. Tive que pagar a conta.


Geraldo Potiguar do Nascimento/2004

Os Brigadianos da Rua da Praia

O meu amigo Brad Pitt, ops, Douglas, me pediu para escrever sobre os "brigadianos da rua da praia". Eu na minha série de crônicas a partir da "rua da praia" nunca tinha me inspirado a pensar sobre o assunto.

Vamos lá. Primeiro com todo o respeito aos leitores de outros estados e que por ventura tenham dúvidas. Brigadiano aqui no Rio Grande do Sul é Policial Militar.

Quando li o que o Douglas escreveu a primeira idéia é que apesar de haver um grande quartel da Brigada Militar aqui na "Rua da Praia" ou Rua dos Andradas (o nome verdadeiro da rua), eu quase não os olho. São eles que olham pra gente. Dever de ofício. Admiro de vez em quando alguma representante do Batalhão Feminino. Existem belas gurias nesse batalhão.

"Gosto" dos policiais militares do Rio Grande do Sul. Os percebo mais tranqüilos do que os de São Paulo, por exemplo. Admiro o respeito interno aos direitos humanos. Conheci um brigadiano homossexual daqueles que empunham bandeira. Que bom que a harmonia e a ordem moram no coração da corporação. Um exemplo para o mundo.

Geraldo Potiguar do Nascimento.Porto Alegre, 2 de setembro de 2006.

O Tabu do Sexo

Numa das ruas centrais de Porto Alegre, a avenida Borges de Medeiros, nos pilares sob o viaduto há uma frase escrita por algum neurótico: "mãe puta deixa o marido dar banho na filha". Está em quase todos. Foi colocado lá talvez como sentimento de culpa. Como regurgitação daquilo que foi "ingerido" e está fazendo mal.

Estar aqui no Rio Grande do Sul me traz saudades grandiosas de todos os lugares por onde passei. A saudade maior e ùnica na sua intensidade é de meusfilhos. Filhos e filhas. Lembro-me que quando novinha ensinava-lhe os primeiros passos e entre outras atividades, lhe dava banho. Cuidava de todas as partes. Lhe Ensinava a cuidar de seu òrgão sexual: _Olha minha filha, quando tomar banho sozinha tem que passar o dedinho aqui "na dobrinha" para que a sujeira não acumule.

Com o filho também: - tem de puxar esse courinho para tras para que fique completamente limpo.Conheci uma senhora em São Paulo com mais de cinqüênta anos que num "depoimento" a esse que escreve afirmou que conheceu um homem nu, ao vivo, no dia que decidiu trair o marido. Eles, ela e o considerado amante "se permitiram" uma nudez. De ambos. Jamais havia conseguido realizar tal feito nos mais de dez anos de casamento.

Avançou mais. Chegou a um orgasmo. O ùnico de sua vida até aquele momento. Como disse, no caso de seu marido, chegava da roça, quando ainda moravam numa cidadezinha do interior, agarrava-a, levantava a sua saia, reclamava quando a encontrava com calcinha, colocava seu "objeto" para fora, e a possuía a semelhança de um vaso sanitário. Isto é: resolvia o"problema dele".

Beijos na boca ela não lembra bem mas acha que aconteceu um ou dois no tempo de namoro. Nesses três tópicos que se encerram em um, tento falar um pouco sobre a cabeça dos homens. E das mulheres. O tabu do sexo, as neuroses e a vida. Amanhã eu volto.

GERALDO POTIGUAR DO NASCIMENTO.

Esse texto estava publicado numa comunidade no orkut que tinha o título: "Já li as Crônicas do Potiguar". Eram textos pequenos (do tamanho de uma mensagem que é colocada nas comunidades), agora nessa colocação aqui nesse meu blog tive a tentação de reescrevê-los, aliás, escritor vive querendo reescrever os textos dele e dos outros também. Resisti. Como a intenção era só cutucar o vespeiro, pode ficar à vontade para escrever os seus comentários no que fico muito grato.

O Metrossexual da Rua da Praia

Já se vai longe o tempo dos janotas. Dos impertigados de Pelotas. Jovens esses, doutores, cultos, europeizados, usuários mais do cérebro do que dos músculos, incompreendidos pela peonada criando má fama no Brasil inteiro.

O século acabou. Estamos no terceiro milênio. Mas, a herança da segunda metade do século passado está viva. Século de Sean Connery - o eterno 007, dos Kennedys e Bill Clinton. De Brad Pitt e de David Beckham. De Magic Johnson e de Eddie Muphy.

A vaidadade é algo presente em todos os setores da natureza. Ou vamos nos esquecer da impecabilidade dos bigodes de Stalin e Hitler, do garbo de Winston Churchill ou dos terninhos dos Beathes, só para citar alguns exemplos.

Segundo o jornalista americano Mark Simpson, está surgindo um novo homem: o metrossexual. Metrossexual é uma palavra ampla. Na verdade não é uma palavra: é uma expressão. Várias conotações cabem nessa expressão: hétero da metrópole seria uma das. Os exagerados, com um pouco de maldade e bastante "pimenta no molho", cognominam de: um "gay" que gosta de fazer sexo com mulheres.

Cristiano é um deles. Loiro, alto, bonito e transbordando em sensualidade. Carrega um nome pomposo: Verlanquieri o que além de garantir a nacionalidade europeia, justifica os zeros à direita das suas contas bancárias. Trinta e cinco anos. Quase uma década vivida do outro lado do oceano. Cursos de aperfeiçoamento; vaga na direção da empresa da família, mas não fugiu da Rua da Praia ou Rua dos Andradas. Lembranças de quando saiu de Caxias do Sul. A universidade federal, os cursos de administração, economia e comunicação, os amigos, as amigas, são lembranças vivas alí na rua mais famosa dos gaúchos ou dos porto alegrenses.

Cristiano é homem. Hétero. Faz jus ao título dessa crônica. Gasta inimagináveis (para nós cidadãos e cidadãs comuns) fortunas com produtos para a preservação e o embelezamento do corpo. Tudo é adquirido em Paris assim como faz Chitãozinho da dupla Chitãozinho e Chororó, Marilia Gabriela, Reynaldo Giannecchini e outros.

Seu apartamento tem uma decoração primorosa. Há uma mistura de cores, frutos de queimas de neurônios com Sandra Guilherme, sua decoradora. Há predomínio de bege mas não há dispensa do azul neném e afirma que salmão, cor predominante na decoração do seu quarto foi a que mais se adaptou a sua personalidade.

Damali, um metro e oitenta de formosura trazida da África pelos seus antepassados; passista da "Samba Puro", da "Vai Vai" de São Paulo, da "Estação Primeira da Mangueira" do Rio de Janeiro e esticadas no Bloco Afro "Ilê Ayiê" da Bahia é a cabelereira de plantão. Montou um salão alí na Riachuelo, perto do Shopping. Nos "folhetins das bocas malditas" circulam "notícias" que o salão existe só para atendê-lo. Conhece mais de meia dúzia de paízes acompanhada de seu inseparável Mugabe, fruto de um grande baile, uma troca de sorrisos e grandes momentos de uma paixão. Além de acompanhá-lo nas viagens internacionais, ser sua amiga e confidente, tem que manter ouvidos atentos e celular sempre ligado para as emergências.

O metrossexual da Rua da Praia é gente. Educado, simpático e cousé. Principalmente quando o time do seu coração sai vitorioso. Paixão pelo "inter" é algo que ele não explica. Nem para os melhores amigos. Na sua empresa trata todos muito bem. Os colorados ele trata com uma atenção especial. Dia de jogo está lá no estádio. Em qualquer parte do Brasil ou do mundo. Marca sempre seus compromissos de acordo com a agenda do clube.

Cristiano gosta de bronzeamento. Artificial. Quando pode vai com seu carro, do ano ou do mês, já que troca de carro com grande freqüência a sua propriedade em Torres. Uma delas. Sol na praia só antes das 10h da manhã ou após as 16h. Não fuma e apaga da sua lista de amigos e amigas quem comete esse pequeno deslize.

A adrenalina no cérebro desse homem é algo constante. Gosta do desafio. É piloto amador de carros de alta velocidade. Tem brevê para pequenas aeronaves. Adora. Adora mesmo envolver altas quantias nas ofertas do dia dos bancos de butique.

As unhas tratadas e pintadas são obras de Luana, prima e sócia de Damali. As roupas são encomendadas nas griffes da moda. A ùltima do Cris (para os ìntimos), foi a contratação de Èrica. Nutricionista. A jovem vai orientar Dona Floriza, cozinheira de tempos idos, na elaboração de uma dieta mais balanceada e mais saudável.

Meu amigo é um cavalheiro. Adora abrir a porta do carro para as suas amigas ou namorada quando tem. Não permite sentar-se à mesa com uma mulher sem antes acomodá-la. Ah, ia me esquecendo: faz questão de pagar a conta.

Cristiano recusa rótulos. Para ele, tudo é sinal dos tempos. Não se reinvindica nem do "clube do bolinha", nem dos "mauricinhos" e muito menos dos "plínios". Diz ter a sensibilidade de um gato. Tem inúmeras amigas as quais trata muitissimamente bem mas sonha com um amor. Um verdadeiro, puro, leal e honesto amor. Espera encontrar uma. Apenas uma mulher que lhe ame. Para o resto da vida. Com eterna reciprocidade.

Cristiano espera encontrar a sua Fabiana. Talvez, quem sabe: na Rua da Praia.

Geraldo Potiguar do Nascimento - Dezembro/2003