Um dia acreditei
que você queria
que me fosse
sumisse de sua vida.
Lá estavam os sonhos
hoje após esses anos
olho nos seus olhos
e reconheço
guardo na mala
arrependimentos.
Geraldo Potiguar do Nascimento
São Paulo, 14.07.07.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Viver
Ao Beto
(Humberto Pinheiro um grande amigo ator, poeta, dramaturgo, produtor teatral, desaparecido desse mundo por causa das drogas)
Riscar as paredes da vida
faz parte do todo
dia-a-dia marcando
o compasso das horas
rupestre
busco o futuro
meu bisão é ouro
é tri.
Riscar as paredes da vida
faz parte do sonho
dia-a-dia tramando
as realizações
breve virão
serão belas
como o frio no inverno.
Riscar as paredes da vida
é ser feliz
ou saudoso
do tempo do amor que passou
como um sonho
o som dos pássaros
minha trilha.
Riscar as paredes
é existir
resistir
Viver.
Geraldo Potiguar do Nascimento
Porto Alegre, 24.07.05.
(Humberto Pinheiro um grande amigo ator, poeta, dramaturgo, produtor teatral, desaparecido desse mundo por causa das drogas)
Riscar as paredes da vida
faz parte do todo
dia-a-dia marcando
o compasso das horas
rupestre
busco o futuro
meu bisão é ouro
é tri.
Riscar as paredes da vida
faz parte do sonho
dia-a-dia tramando
as realizações
breve virão
serão belas
como o frio no inverno.
Riscar as paredes da vida
é ser feliz
ou saudoso
do tempo do amor que passou
como um sonho
o som dos pássaros
minha trilha.
Riscar as paredes
é existir
resistir
Viver.
Geraldo Potiguar do Nascimento
Porto Alegre, 24.07.05.
Pífia Liberdade
A liberdade que me deste
parece vitória
pífia
os campos
os vales
as montanhas
estão cheios.
De saudades morro a cada dia.
As flores crescem
na ausência do floricultor.
A intransigência turva
a luz é para todos.
A liberdade que buscava
era meio
o futuro é a união.
Floricultores
nós e as flores
e os frutos
num único banquete
com liberdade.
Geraldo Potiguar do Nascimento
São Paulo, 06.10.07
parece vitória
pífia
os campos
os vales
as montanhas
estão cheios.
De saudades morro a cada dia.
As flores crescem
na ausência do floricultor.
A intransigência turva
a luz é para todos.
A liberdade que buscava
era meio
o futuro é a união.
Floricultores
nós e as flores
e os frutos
num único banquete
com liberdade.
Geraldo Potiguar do Nascimento
São Paulo, 06.10.07
A Volta
(“Sou como soca de cana: não adianta me cortar
que nasço de novo”. – de um poeta nordestino cujo
nome não me lembro)
Vou a Natal
após 25 de dezembro.
Nada levo na bagagem
assim como não espero
encontrar nada
nem ninguém
a minha espera.
Vou a Natal
já sinto o cansaço antecipado
das muitas andanças
pelas ruas que passei
quando guri.
Vou a Natal
cheio de saudades...
ou seria ansiedade?
Será que ainda é possível
caminhar as madrugadas nas praias?
Vou a Natal
A saudade que sinto
não é do passado
é do hoje
é da vida.
Vou a Natal
marcar minha vivência
no diário
a família
em grande porcentagem
posta sob a terra.
Vou a Natal
buscar esperanças
na cidade
rever a árvore
que plantaram
em minha homenagem
em fronduzura.
Vou a Natal
sonhando convites
vivas e comemorações
sede para ceder
as tentativas de ficar.
Geraldo Potiguar do Nascimento
Porto Alegre, 11.11.05.
que nasço de novo”. – de um poeta nordestino cujo
nome não me lembro)
Vou a Natal
após 25 de dezembro.
Nada levo na bagagem
assim como não espero
encontrar nada
nem ninguém
a minha espera.
Vou a Natal
já sinto o cansaço antecipado
das muitas andanças
pelas ruas que passei
quando guri.
Vou a Natal
cheio de saudades...
ou seria ansiedade?
Será que ainda é possível
caminhar as madrugadas nas praias?
Vou a Natal
A saudade que sinto
não é do passado
é do hoje
é da vida.
Vou a Natal
marcar minha vivência
no diário
a família
em grande porcentagem
posta sob a terra.
Vou a Natal
buscar esperanças
na cidade
rever a árvore
que plantaram
em minha homenagem
em fronduzura.
Vou a Natal
sonhando convites
vivas e comemorações
sede para ceder
as tentativas de ficar.
Geraldo Potiguar do Nascimento
Porto Alegre, 11.11.05.
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
ENCONTRÃO NA RUA DA PRAIA

Geraldo Potiguar do Nascimento
Eu e a Fabiana nos conhecemos através de um encontrão. Eu sei que é uma forma bastante esquisita de duas pessoas se conhecerem, mas foi. Um encontrão na Rua da Praia. Rua da praia, na realidade, é uma rua que não existe. É a rua mais famosa dos gaúchos, mas é uma rua que não existe. A Rua da Praia não existe desde o século dezenove. Apesar de sua "inexistência", todo gaúcho sabe onde é a Rua da Praia. E não só os gaúchos: por causa da "esquina democrática", que é a esquina da Rua dos Andradas com a Borges de Medeiros, essa rua é conhecida em todos os cantos do nosso país e até no exterior. Mesmo quem nunca veio aqui no Rio Grande do Sul já ouviu falar da "rua da praia".
Eu e a Fabiana tivemos ou cometemos um encontrão na Rua dos Andradas, nome oficial da rua da praia e em questão de minutos lá estávamos lado a lado em banquinhos, numa daquelas lancherias dalí da rua, dividindo um refrigerante,
apesar do frio do inverno, em bora os raios do sol insistissem em se manter clareando o dia, ou melhor: a tarde. A nossa tarde.
Minha mais nova amiga faz "História" na ULBRA (Universidade Luterana Brasileira - Canoas/RS), de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, é uma empresária de uma pequena empresa na área de comunicação e garante que por dever de ofício vai a Universidade de Passo Fundo participar da Décima Jornada Nacional de Literatura.
A nossa conversa gira por vários assuntos: rua da praia, como não podia faltar; democracia; Rio Grande do Sul; Brasil e o Nordeste, dentre outros, já que sou um nordestino "perdido" aqui nessas terras dos pampas. Falamos de outros assuntos e em seguida descambamos para temas interligados como: amor, sedução, traição e solidão. Observações não faltaram em nossa cavaquiação. Falamos da mídia, contamos piadas, lembramos como as piadas contadas, que também fazem parte da mídia, minimizam a importância da mulher no processo histórico de transformação da sociedade.
Lembramos as páginas e mais páginas que existem na internet fazendo "gracinhas" com as mulheres e... na continuação colocamos em evidência as "galhofas" que existem "contra" os homens transformando a nossa mídia numa verdadeira "guerra dos sexos". Pérolas como: "os homens são iguais a pão de forma ou pão de sanduíche, como queiram: são quadrados, fáceis de dobrar e se desmancham com facilidade". Ou aquela que diz que: "os homens são iguais caracois: pegajosos, gosmentos e acreditam que a casa é deles".
Apesar de estar conversando com uma futura historiadora, não falamos muito sobre a morte do diplomata Sérgio Vieira de Melo, assassinado no Iraque onde representava a ONU (Organização das Nações Unidas) e tentava normalizar a vida do povo no pós-guerra e as conseqüências desse acontecimento para a paz mundial. Não falamos sobre o interminável conflito árabes/judeus. Não comentamos sobre estes primeiros meses do Governo Lula, nem falamos da tentativa do ator Arnold Schwarzenegger em governar o estado da Califórnia.
Lembramos de Obirici(1), a lenda histórica da índia rejeitada que teve suas lágrimas transformadas em rios que terminam formando a baía do Guaíba que banha a cidade de Porto Alegre. Dessa lenda pulamos para um acontecimento real ocorrido na zona sul da capital dos gaúchos, ao lado do arroio Passo Fundo: "Gislene,negra linda, passista dos "Bambas",
namorava Dino, componente da bateria da mesma agremiação. Ao saber que o seu amado 'dividia' os seus prazeres com outra 'pretendente' tomou uma decisão: poria fim a tudo. Chico Dé, escoador de confiança da droga da região foi quem bancou o empréstimo do trabuco".
Na hora indicada, porta do colégio, lá estava Dino e Claudia, conhecida "de vista" de Gislene trocando ósculos e amplexos". "Dois estampidos chamaram a atenção dos transeuntes que não observavam, até aquele momento, a balbúrdia, tão comum na saída dos discentes. "Dois tiros. Dois mortos: Dino de vinte e um anos e Claudia de dezesseis".
O desespero estava estampado nos olhos de Gislene. Seu amor havia morrido; e pelas mãos dela. Sera ainda julgada por outro crime premeditado e executado. Não resistiu a pressão interna. Seus neurônios não a deixaram em paz. Várias opções foram sugeridas por parentes e amigos: mudança de endereço, indo viver com uma tia numa pequena cidade do interior; entrar no Movimento dos Sem Terra; trabalhar como palhaça, trapezista ou qualquer outra modalidade num circo mambembe e outros. Seu pai, separado de sua mãe, entrou na história. Sugeriu uma saída honrosa se é que para uma situação como esta a opção é válida.
A idéia do velho seria procurar um bom advogado e se entregar na primeira hora. Ré primária, com bom comportamento, atenuantes, etc, cumpriria no máximo um terço da pena o que poderia, com sursis, ficar em liberdade cumprindo apenas formalidades de apoio comunitário.
Gislene resistiu. Resistiu a todas as opções e pressões. Mas como dizem os mais velhos: "do destino não se foge".
Quem saiu naquele fatídico dia de agosto encontrou o corpo de uma bela jovem, gestante, de dezoito anos dentro do Arroio Passo Fundo. Seu sangue verteu à vontade e seguiu o rumo do arroio transformando as, normalmente claras, águas da baía do Guaíba.
Fabiana pensa. Franze a testa. Arruma os cabelos de cachinhos castanhos e pintura descolorando descobrindo o preto do natural. Comenta a lenda de Obirici (a índia). Pensa mais um pouco e por fim, volta ao diálogo. Fala das fatalidades dos dias de hoje e da desvalorização da vida. Comenta a "rigidez" no pensar dos adolescentes. O conservadorismo na "educação dirigida aos homens" e muitos outros assuntos que passam muitas vezes longe do "saber acadêmico".
O Encontrão na Rua da Praia... ou será Rua dos Andradas? Ou as duas cognominações valem ? Os assuntos variados, as piadas, a lenda de Obirici e a cruel realidade principalmente das periferias das grandes cidades deixaram a minha mais nova amiga meio atordoada. Adolescente, vinte e dois anos, acadêmica, segue Fabiana sem entender, o quanto gostaria, o nosso mundo. No seu íntimo, desejava que fosse diferente. Que o amor fosse a chave de tudo, afinal, o amor é lindo. E fácil. É muito fácil amar. Assim como um encontrão na rua da praia.
Copyright © 2003 by Geraldo Potiguar do Nascimento -
Todos os direitos reservados.
(1)As lágrimas de Obirici
A origem dos nomes das maiorias dos bairros que formam a capital gaúcha se perde no tempo. Em muitos casos já nem há vestígios dos elementos que serviram para que recebessem a denominação pela qual são identificados até os dias de hoje. è assim com o passo da Areia, tradicional bairro localizado na zona norte de Porto Alegre. A areia já se foi há muito tempo. Aquela área da cidade está toda urbanizada. O passo, até resistiu, mas não faz muito tempo também deixou de existir. Antigamente, quando índios ainda habitavam a região, era um riachinho chamado por eles de Ibicuiretã, que significa " rio de areia ", " água que corre sobre pó " ou ainda " passo da areia ". Brotava na baixada da Boa Vista e seu leito sinuoso passava pelo meio da areal.
Com a urbanização, o passo foi canalizado e virou um valão. Suas águas tornaram-se sujas e barrentas e atravessavam o bairro espalhando mau cheiro. Com certo alívio, os moradores locais viram o córrego ser aterrado no início dos anos 80, quando ali começou a construção de um shopping center.
Apesar deste fim um tanto melancólico, a origem do Ibicuiretã está ligada a uma linda história de amor. Quando um homem branco sequer tinha pisado naqueles areais, ali se instalara uma tribo tapi-mirim, da nação dos tapes. Espremidos entre o Guaíba e morros, volta e meia precisavam defender sua taba com paus, pedras, lanças, arco e flecha de ataques de tribos inimigas. Os tapi-mirins viviam em permanente alerta.
E como não tinham cacique, eram comandados por um chefe guerreiro. Se esse chefe adoecia, envelhecia ou morria, cabia ao conselho de anciãos escolher um novo líder para as batalhas que viriam.
Depois de eleito, o chefe, geralmente jovem e solteiro, começava a despertar a
atenção das índias solteiras. Aquele que até outro dia era apenas mais um entre os seus, se convertia em um abençoado de Tupã, um escolhido dos deuses. E, assim, suscitava uma disputa entre as donzelas da aldeia. Todas passavam a usar seus enfeites mais bonitos, suas tintas mais coloridas, seus perfumes mais cheirosos. Tudo para conquistar o coração do agora poderoso guerreiro. Mas com Obirici, uma linda jovem daquela tribo, os sentimentos não funcionavam deste jeito. Desde curumim ela nutria amor por um único índio.
Nunca havia confessado sua paixão, no entanto. Amava em segredo, em silêncio, sozinha.
Quis o destino que o índio por quem ela era apaixonada fosse escolhido o chefe
guerreiro dos tupi-mirins. Obirici pensou, então, que chegara o momento para se declarar:
- Grande chefe, estou aqui para dizer que te amo. Quero ser tua esposa, passar a vida ao teu lado.
- Tu és a única a declarar amor por mim, Obirici.
- Outra índia se apresentou como tua pretendente ?
- Sim, ela diz me amar como ninguém mais me amaria.
- Mas eu te amo tanto quanto ela, mais até. E desde sempre. Desde que soube o que era amar alguém ...
- Eu acredito, Obirici, mas estou indeciso.
Diante do tímido amor de sempre e da paixão repentina, o índio não soube o que fazer. Foram dias tristes para Obirici. Passou noites em claro, chorando, soluçando, odiando amar. Como o novo chefe não chegava a uma decisão, ele próprio pediu ao sábio conselho de anciãos estabelecesse uma solução para o impasse. Assim foi feito: as duas pretendentes disputariam um torneio de arco e flecha. A vencedora seria a mulher do chefe guerreiro.
No dia do desafio, toda a tribo reuniu-se para assistir o grande acontecimento. Nunca a disputa para ser a esposa do chefe tinha chegado tão longe. Muitos repararam que Obirici demonstrava estar muito nervosa, enquanto que a concorrente parecia ganhar confiança com toda aquela gente como assistência. Obirici transbordava insegurança. Tremia seu arco, tremia sua flecha, tremia seu braço, suas pernas, seu corpo todo. O mundo tremia em seu redor. Suas flechas atingiam o alvo sem muita convicção, como se tivessem desistido do vôo no meio do caminho.
A outra índia parecia mais afetiva ao arco e à flecha. Seus disparos eram precisos, fulminantes, certeiros. Cada flecha sua que acertava o alvo era como se acertasse também o coração de Obirici. Aos poucos sua vitória foi se tornando evidente. Perdeu Obirici. Perdeu a batalha, perdeu seu amado, perdeu a razão. Enclauzurada em sua oca, só fazia chorar. Não comia, não bebia, não dormia, quase esquecia até de respirar. No dia do casamento do homem que havia rejeitado seu amor, não aguentou de sofrimento. Saiu da aldeia correndo, em prantos, para longe, em direção a um ponto mais alto do areal.
Era noite de lua cheia, e para lua Obirici chorou. Era noite estrelada, e para as
estrelas Obirici chorou, uma lágrima para cada ponto brilhante do céu. Chorou tanto que sua face aos poucos foi se convertendo em lágrimas, seu corpo todo se
transformando, se desmanchando, se desfazendo. Obirici virou suas lágrimas, e suas lágrimas viraram um riacho, que foi fazendo seu caminho pela areia até chegar à aldeia. Primeiro assustados, depois consternados, os tapi-mirins perceberam que o rio eram as lágrimas de sofrimento de Obirici. Chamaram o arroio de Ibicuiretã, e os açorianos quando aqui chegaram o rebatizaram de Passo da Areia, que deu nome ao bairro.
Não há mais areia, não há mais passo, mas Obirici ainda existe. Próximo ao viaduto que leva o seu nome e que se ergue sobre a avenida Assis Brasil, a índia está imortalizada em uma escultura, com os braços para o céu, pedindo um alento à Tupã.
Nota: Este texto sobre a lenda de Obirici foi tirado da internet. Há outros textos, poemas, crônicas sobre o assunto.
Eu e a Fabiana nos conhecemos através de um encontrão. Eu sei que é uma forma bastante esquisita de duas pessoas se conhecerem, mas foi. Um encontrão na Rua da Praia. Rua da praia, na realidade, é uma rua que não existe. É a rua mais famosa dos gaúchos, mas é uma rua que não existe. A Rua da Praia não existe desde o século dezenove. Apesar de sua "inexistência", todo gaúcho sabe onde é a Rua da Praia. E não só os gaúchos: por causa da "esquina democrática", que é a esquina da Rua dos Andradas com a Borges de Medeiros, essa rua é conhecida em todos os cantos do nosso país e até no exterior. Mesmo quem nunca veio aqui no Rio Grande do Sul já ouviu falar da "rua da praia".
Eu e a Fabiana tivemos ou cometemos um encontrão na Rua dos Andradas, nome oficial da rua da praia e em questão de minutos lá estávamos lado a lado em banquinhos, numa daquelas lancherias dalí da rua, dividindo um refrigerante,
apesar do frio do inverno, em bora os raios do sol insistissem em se manter clareando o dia, ou melhor: a tarde. A nossa tarde.
Minha mais nova amiga faz "História" na ULBRA (Universidade Luterana Brasileira - Canoas/RS), de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, é uma empresária de uma pequena empresa na área de comunicação e garante que por dever de ofício vai a Universidade de Passo Fundo participar da Décima Jornada Nacional de Literatura.
A nossa conversa gira por vários assuntos: rua da praia, como não podia faltar; democracia; Rio Grande do Sul; Brasil e o Nordeste, dentre outros, já que sou um nordestino "perdido" aqui nessas terras dos pampas. Falamos de outros assuntos e em seguida descambamos para temas interligados como: amor, sedução, traição e solidão. Observações não faltaram em nossa cavaquiação. Falamos da mídia, contamos piadas, lembramos como as piadas contadas, que também fazem parte da mídia, minimizam a importância da mulher no processo histórico de transformação da sociedade.
Lembramos as páginas e mais páginas que existem na internet fazendo "gracinhas" com as mulheres e... na continuação colocamos em evidência as "galhofas" que existem "contra" os homens transformando a nossa mídia numa verdadeira "guerra dos sexos". Pérolas como: "os homens são iguais a pão de forma ou pão de sanduíche, como queiram: são quadrados, fáceis de dobrar e se desmancham com facilidade". Ou aquela que diz que: "os homens são iguais caracois: pegajosos, gosmentos e acreditam que a casa é deles".
Apesar de estar conversando com uma futura historiadora, não falamos muito sobre a morte do diplomata Sérgio Vieira de Melo, assassinado no Iraque onde representava a ONU (Organização das Nações Unidas) e tentava normalizar a vida do povo no pós-guerra e as conseqüências desse acontecimento para a paz mundial. Não falamos sobre o interminável conflito árabes/judeus. Não comentamos sobre estes primeiros meses do Governo Lula, nem falamos da tentativa do ator Arnold Schwarzenegger em governar o estado da Califórnia.
Lembramos de Obirici(1), a lenda histórica da índia rejeitada que teve suas lágrimas transformadas em rios que terminam formando a baía do Guaíba que banha a cidade de Porto Alegre. Dessa lenda pulamos para um acontecimento real ocorrido na zona sul da capital dos gaúchos, ao lado do arroio Passo Fundo: "Gislene,negra linda, passista dos "Bambas",
namorava Dino, componente da bateria da mesma agremiação. Ao saber que o seu amado 'dividia' os seus prazeres com outra 'pretendente' tomou uma decisão: poria fim a tudo. Chico Dé, escoador de confiança da droga da região foi quem bancou o empréstimo do trabuco".
Na hora indicada, porta do colégio, lá estava Dino e Claudia, conhecida "de vista" de Gislene trocando ósculos e amplexos". "Dois estampidos chamaram a atenção dos transeuntes que não observavam, até aquele momento, a balbúrdia, tão comum na saída dos discentes. "Dois tiros. Dois mortos: Dino de vinte e um anos e Claudia de dezesseis".
O desespero estava estampado nos olhos de Gislene. Seu amor havia morrido; e pelas mãos dela. Sera ainda julgada por outro crime premeditado e executado. Não resistiu a pressão interna. Seus neurônios não a deixaram em paz. Várias opções foram sugeridas por parentes e amigos: mudança de endereço, indo viver com uma tia numa pequena cidade do interior; entrar no Movimento dos Sem Terra; trabalhar como palhaça, trapezista ou qualquer outra modalidade num circo mambembe e outros. Seu pai, separado de sua mãe, entrou na história. Sugeriu uma saída honrosa se é que para uma situação como esta a opção é válida.
A idéia do velho seria procurar um bom advogado e se entregar na primeira hora. Ré primária, com bom comportamento, atenuantes, etc, cumpriria no máximo um terço da pena o que poderia, com sursis, ficar em liberdade cumprindo apenas formalidades de apoio comunitário.
Gislene resistiu. Resistiu a todas as opções e pressões. Mas como dizem os mais velhos: "do destino não se foge".
Quem saiu naquele fatídico dia de agosto encontrou o corpo de uma bela jovem, gestante, de dezoito anos dentro do Arroio Passo Fundo. Seu sangue verteu à vontade e seguiu o rumo do arroio transformando as, normalmente claras, águas da baía do Guaíba.
Fabiana pensa. Franze a testa. Arruma os cabelos de cachinhos castanhos e pintura descolorando descobrindo o preto do natural. Comenta a lenda de Obirici (a índia). Pensa mais um pouco e por fim, volta ao diálogo. Fala das fatalidades dos dias de hoje e da desvalorização da vida. Comenta a "rigidez" no pensar dos adolescentes. O conservadorismo na "educação dirigida aos homens" e muitos outros assuntos que passam muitas vezes longe do "saber acadêmico".
O Encontrão na Rua da Praia... ou será Rua dos Andradas? Ou as duas cognominações valem ? Os assuntos variados, as piadas, a lenda de Obirici e a cruel realidade principalmente das periferias das grandes cidades deixaram a minha mais nova amiga meio atordoada. Adolescente, vinte e dois anos, acadêmica, segue Fabiana sem entender, o quanto gostaria, o nosso mundo. No seu íntimo, desejava que fosse diferente. Que o amor fosse a chave de tudo, afinal, o amor é lindo. E fácil. É muito fácil amar. Assim como um encontrão na rua da praia.
Copyright © 2003 by Geraldo Potiguar do Nascimento -
Todos os direitos reservados.
(1)As lágrimas de Obirici
A origem dos nomes das maiorias dos bairros que formam a capital gaúcha se perde no tempo. Em muitos casos já nem há vestígios dos elementos que serviram para que recebessem a denominação pela qual são identificados até os dias de hoje. è assim com o passo da Areia, tradicional bairro localizado na zona norte de Porto Alegre. A areia já se foi há muito tempo. Aquela área da cidade está toda urbanizada. O passo, até resistiu, mas não faz muito tempo também deixou de existir. Antigamente, quando índios ainda habitavam a região, era um riachinho chamado por eles de Ibicuiretã, que significa " rio de areia ", " água que corre sobre pó " ou ainda " passo da areia ". Brotava na baixada da Boa Vista e seu leito sinuoso passava pelo meio da areal.
Com a urbanização, o passo foi canalizado e virou um valão. Suas águas tornaram-se sujas e barrentas e atravessavam o bairro espalhando mau cheiro. Com certo alívio, os moradores locais viram o córrego ser aterrado no início dos anos 80, quando ali começou a construção de um shopping center.
Apesar deste fim um tanto melancólico, a origem do Ibicuiretã está ligada a uma linda história de amor. Quando um homem branco sequer tinha pisado naqueles areais, ali se instalara uma tribo tapi-mirim, da nação dos tapes. Espremidos entre o Guaíba e morros, volta e meia precisavam defender sua taba com paus, pedras, lanças, arco e flecha de ataques de tribos inimigas. Os tapi-mirins viviam em permanente alerta.
E como não tinham cacique, eram comandados por um chefe guerreiro. Se esse chefe adoecia, envelhecia ou morria, cabia ao conselho de anciãos escolher um novo líder para as batalhas que viriam.
Depois de eleito, o chefe, geralmente jovem e solteiro, começava a despertar a
atenção das índias solteiras. Aquele que até outro dia era apenas mais um entre os seus, se convertia em um abençoado de Tupã, um escolhido dos deuses. E, assim, suscitava uma disputa entre as donzelas da aldeia. Todas passavam a usar seus enfeites mais bonitos, suas tintas mais coloridas, seus perfumes mais cheirosos. Tudo para conquistar o coração do agora poderoso guerreiro. Mas com Obirici, uma linda jovem daquela tribo, os sentimentos não funcionavam deste jeito. Desde curumim ela nutria amor por um único índio.
Nunca havia confessado sua paixão, no entanto. Amava em segredo, em silêncio, sozinha.
Quis o destino que o índio por quem ela era apaixonada fosse escolhido o chefe
guerreiro dos tupi-mirins. Obirici pensou, então, que chegara o momento para se declarar:
- Grande chefe, estou aqui para dizer que te amo. Quero ser tua esposa, passar a vida ao teu lado.
- Tu és a única a declarar amor por mim, Obirici.
- Outra índia se apresentou como tua pretendente ?
- Sim, ela diz me amar como ninguém mais me amaria.
- Mas eu te amo tanto quanto ela, mais até. E desde sempre. Desde que soube o que era amar alguém ...
- Eu acredito, Obirici, mas estou indeciso.
Diante do tímido amor de sempre e da paixão repentina, o índio não soube o que fazer. Foram dias tristes para Obirici. Passou noites em claro, chorando, soluçando, odiando amar. Como o novo chefe não chegava a uma decisão, ele próprio pediu ao sábio conselho de anciãos estabelecesse uma solução para o impasse. Assim foi feito: as duas pretendentes disputariam um torneio de arco e flecha. A vencedora seria a mulher do chefe guerreiro.
No dia do desafio, toda a tribo reuniu-se para assistir o grande acontecimento. Nunca a disputa para ser a esposa do chefe tinha chegado tão longe. Muitos repararam que Obirici demonstrava estar muito nervosa, enquanto que a concorrente parecia ganhar confiança com toda aquela gente como assistência. Obirici transbordava insegurança. Tremia seu arco, tremia sua flecha, tremia seu braço, suas pernas, seu corpo todo. O mundo tremia em seu redor. Suas flechas atingiam o alvo sem muita convicção, como se tivessem desistido do vôo no meio do caminho.
A outra índia parecia mais afetiva ao arco e à flecha. Seus disparos eram precisos, fulminantes, certeiros. Cada flecha sua que acertava o alvo era como se acertasse também o coração de Obirici. Aos poucos sua vitória foi se tornando evidente. Perdeu Obirici. Perdeu a batalha, perdeu seu amado, perdeu a razão. Enclauzurada em sua oca, só fazia chorar. Não comia, não bebia, não dormia, quase esquecia até de respirar. No dia do casamento do homem que havia rejeitado seu amor, não aguentou de sofrimento. Saiu da aldeia correndo, em prantos, para longe, em direção a um ponto mais alto do areal.
Era noite de lua cheia, e para lua Obirici chorou. Era noite estrelada, e para as
estrelas Obirici chorou, uma lágrima para cada ponto brilhante do céu. Chorou tanto que sua face aos poucos foi se convertendo em lágrimas, seu corpo todo se
transformando, se desmanchando, se desfazendo. Obirici virou suas lágrimas, e suas lágrimas viraram um riacho, que foi fazendo seu caminho pela areia até chegar à aldeia. Primeiro assustados, depois consternados, os tapi-mirins perceberam que o rio eram as lágrimas de sofrimento de Obirici. Chamaram o arroio de Ibicuiretã, e os açorianos quando aqui chegaram o rebatizaram de Passo da Areia, que deu nome ao bairro.
Não há mais areia, não há mais passo, mas Obirici ainda existe. Próximo ao viaduto que leva o seu nome e que se ergue sobre a avenida Assis Brasil, a índia está imortalizada em uma escultura, com os braços para o céu, pedindo um alento à Tupã.
Nota: Este texto sobre a lenda de Obirici foi tirado da internet. Há outros textos, poemas, crônicas sobre o assunto.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
A História Preconceituosa da Àfrica

Crítica ao livro:
"A África Está em Nós"
História e Cultura Afro-Brasileira
Primeiro Volume
Autor: Roberto Benjamim
(Roberto Emerson Câmara Benjamim)
Editora Grafset Ltda.
Infelizmente acabei de ler agora no mês de agosto/2006 o livro "A África Está em Nós" de Roberto Benjamim, publicado pela editora Grafset em 2004. Digo infelizmente porque gostaria de ter lido muito antes e é uma pena que somente agora chegou as minhas mãos. Esse livro até onde tenho conhecimento, por falta de outro, e não sei se o Ministério da Educação através de seus departamentos já adotou algum livro didático que sirva de baliza para execução na prática as determinações da Lei Federal, está sendo "adotado" por alguns professores, principalmente de História, cheios de boas intenções, para "orientar" os seus alunos com relação a História da África.
Achei oportuno o lançamento do livro. Acredito ter sido um dos primeiros livros, se não o primeiro de que tomo conhecimento de abordar o assunto com essa diversidade, logo após a publicação da Lei Federal 10.639/03. Fico surpreso com a bibliografia utilizada mas desagrada-me o resultado. Observo que a linguagem do professor Benjamim é eivada de preconceitos. Como militante do Movimento Negro e dos Direitos Humanos estamos acostumados; não estou querendo justificar que é algo bom e que tranqüilamente faz parte do nosso dia-à-dia já que com certeza também nos acostumamos a nos reservarmos e preservarmos dos acontecimentos que têm o intuito de nos maltratar. Isso que escrevo como costume poderia ser colocado como uma espécie de exército de reserva a semelhança de nossa defesa interna através dos anticorpos ou/e até a nossa defesa externa dos animais peçonhentos.
Já na página 20 do referido livro o autor, no "ponto 1.3 - Denominações afro-brasileiras", no item quarto, pela ordem, denominado EWE, decorre o texto escrevendo: EWE - 1. Povo da África Ocidental (que hoje habita o Benin, o Togo e Gana), de onde procederam escravos para o Brasil...". Parece-me que o autor, que também é advogado, com a sua linguagem "coloquial" de escritor, branco, conservador, racista e sem nenhum compromisso com a mudança; indigno de ser considerado parceiro já que temos inúmeros intelectuais brancos e de outras etnias que são verdadeiramente parceiros, não busca novos horizontes no universo da educação brasileira pregado pela "regulamentação da Lei Federal 10.639 de 09 de janeiro de 2003", através das "Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana" aprovado pelo Conselho Nacional de Educação em 10 de Março de 2004.
Na sua linguagem racista, preconceituosa e discriminatória, o autor usa a palavra escravo como adjetivo pátrio fazendo-se presumir que exista um país denominado "escravolândia" ou algo parecido. Benjamim segue a linguagem da maioria da imprensa e/ou de educadores diretos e indiretos liderada pelo Sistema Globo de Comunicação (vide discussão em torno de outro livro, o Não Somos Racistas de Ali Kamel, diretor executivo da Rede Globo), que planeja e põe no ar no seu jornal de maior audiência manchete como a que ouvimos a poucos dias passados: "Dia de festa para descendentes de escravos".
No livro inteiro o Senhor Benjamim nada faz para mudar essa linguagem racista, discriminatória e preconceituosa criada, difundida e conservada pelos seus antepassados, citando várias vezes que determinados países ou regiões da África era de onde vinham os "escravos". Linguagem essa que cada vez mais ajudam a perpetuar a imagem do negro subserviente e fraco e que pelo seu passado de descendente de "escravos" obviamente jamais poderá galgar altos postos neste país.
É necessário deixar nítido para o Sr. Benjamim e outros racistas de plantão que, se existe um povo descendente de "escravos!" existe também um povo descendente de escravisadores. Um povo que tratava outro povo como coisa, animal; que assassinava ao "bel prazer" aqueles seres que não correspondiam as suas (deles) expectativas; que estupravam as negras para encobrir fracassos sexuais de seus casamentos forjados assim como as doenças e/ou a frigidez de suas esposas. Este senhor acha que é isso que a escola brasileira deve continuar ensinando? É com base nessa educação, eurocêntrica, discriminatória, preconceituosa e racista que devemos abordar a história de nossos antepassados? Senhor Benjamim e demais seguidores, nós negros e negras não somos descendentes de escravos! Somos descendentes de africanos que por um determinado período fomos escravizados. A escravidão não nasceu com os negros e negras africanos (as) como o senhor com certeza é sabedor já que tem muito mais informações do que eu. Uma pessoa do quilate desse senhor quando intencionalmente escreve desta forma em um livro que se pretendia didático tem o objetivo claro (como os senhores adoram falar), de manter cada vez mais os negros e negras distantes de uma auto estima impedindo-os de uma libertação da consciência desse povo.
Nesse livro, ainda com relação a religiosidade do povo afro-brasileiro o autor não age como um cientista mas sim como uma pessoa mais uma vez preconceituosa e a serviço da igreja católica, como nos tempos da inquisição maldita. Distorce informações sobre as religiões de matriz africana, desinforma e colabora com o atraso para que os dados verídicos sobre as religiões trazidas de além mar não sejam difundidos de uma forma mais ampla.Na abordagem internacional o autor perdeu a oportunidade de informar aos leitores/alunos do seu livro como se deu a divisão do continente africano. Há na página 91 do supra citado um pequeno gráfico que "orienta" aos alunos/leitores e como bom descendente de colonizadores o autor foge dos fatos sem deixar nítidas as condições políticas e históricas em que e como que aconteceu a invasão do "continente negro".
Não é por falta de informações pois na relação bibliográfica colocada no final do livro, que presumo que o autor tenha lido, há inúmeros livros verdadeiramente documentais que colaboram para que se tenha uma gama de informações capazes de reforçar um relato científico de como aconteceu. Na abordagem nacional há desprezo da parte do autor por todas as batalhas de transformações e mudanças neste país onde negros e negras estiveram presentes junto com todas as etnias e em grande quantidade. Só para ilustrar esta afirmativa, neste livro não há nenhuma informação a respeito da participação nas luta do povo negro do sul do país nas revoluções e guerras acontecidas principalmente nos pampas gaúchos, a partir do Rio Grande do Sul, estados e países vizinhos com vastos relatos em livros e documentos publicados/divulgados no Brasil e fora dele.
O autor, Roberto Emerson Câmara Benjamim apesar de ter perdido a grande oportunidade de se passar como um parceiros nas lutas pela emancipação (de fato) do povo negro e seus descendentes, age como proxeneta da cultura negra por alguns caraminguás pois tenta a todo custo preservar as "conquistas" de seu povo que este sim, levam e levarão sempre a pecha de terem escravizado um povo que como está escrito também em seu livro (não foi possível nesse ponto mascarar a verdade), muitos deles, reis e rainhas; príncipes e princesas. Se nós somos descendentes de "escravos" como afirmam este senhor e os meios de comunicação do nosso país, os senhores são descendentes dos escravisadores, estupradores de negros e negras oriundas da África. Exterminadores de um povo. Provocadores do genocídio do povo negro.
Os negros e negras nunca concordaram com a sua condição de escravos e hoje nós os afro-brasileiros não concordamos de maneira nenhuma com a escravização de consciências impostas por pessoas que, paradas no tempo, acreditam ainda serem os nossos tutores dominando a mídia e os organismos de educação formal e/ou informal impondo seus ditames de forma "moderna" e oportunista através do compadrio, contubérnio, insensamento daqueles que ocupam o poder. Estamos e vamos continuar atentos.
GERALDO POTIGUAR DO NASCIMENTO é militante do movimento há mais de 30 anos. Em 1978 junto com outros militantes, organizou a partir de São Paulo o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial – o MNU; em 1991 ajudou a fundar "oficialmente" a União de Negros pela Liberdade – UNEGRO; em 1992 organizou a “posse” de “hip hop” Identidade Negra na região da Vila Nova Cachoeirinha – Zona Norte de São Paulo. Há 5 anos Potiguar viaja por várias cidades do nosso país com a palestra/debate: “A Participação do Povo Negro na História do Brasil” e elabora o livro: “Tudo que Você gostaria de Perguntar sobre a Raça Negra e não tinha tido oportunidade”. Atua atualmente no AFRHUM - Instituto Pedagógico para o Crescimento, Fortalecimento e Valorização da Cultura, do Viver Afro-Brasileiro e os Direitos Humanos
Contatos: E mail's: geponas@gmail.com
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